Sua relação com o inverno, e com o silêncio da estação, estava além de sua própria compreensão. Talvez fosse porque, dez anos atrás, durante um inverno, tudo havia mudado na trajetória de um jovem Cedrik. A vida havia acontecido, com a queda de incontáveis flocos de neve, no último dia de Novembro.

Fazia frio, muito frio, e o mundo não poderia parecer mais congelado do que agora parecia. Os invernos em Cabrich eram os piores, sempre arrebatadores e impiedosos, forçavam os fazendeiros e cuidadores a dormir mais cedo, a proteger os animais da nevasca e, como de praxe, rezar por suas colheitas e famílias. O vilarejo de Cabrich era pequeno mas abrigava uma quantidade generosa de famílias, todas muito receptivas e gentis com a família de Cedrik. Os Frasers, um dos clãs mais antigos escoceses, com cerca de setecentos anos de tradição, eram respeitados por todos que os conheciam. Suas relações eram boas com os representantes de clãs distintos, sendo eles grandes amigos, especialmente, do clã MacLeod, da Ilha Skye, região que a família costumava visitar algumas vezes.A família Fraser de Lovat sempre fora conhecida por ser relativamente grande. Cedrik, o filho homem mais velho da casa — com seus doze anos de idade e de curiosidade pelo mundo — vivia junto de seus pais, Hamish e Yvaine Hebridean Fraser, e seus três irmãos, dois mais novos e uma mais velha. Os dois caçulas, Ailig e Iseabal, eram as duas crianças mais brincalhonas e espertas dos arredores, sempre pregando peças nos visitantes e, às vezes, em seus próprios vizinhos. Ailig era o mais novo da casa, com apenas nove anos de idade, e Iseabal era a segunda mais nova, com um ano a mais do que Ailig. Os dois eram inseparáveis, quase como um mesmo indivíduo de tão parecidos. A irmã mais velha de Cedrik, a sua pessoa mais querida no mundo, chamava-se Eilidh e, sendo a filha mais velha da casa, tinha quatorze anos de muita paciência e dedicação aos deveres da família. Era uma jovem verdadeiramente excepcional.A vida nas montanhas era tranquila, nada ociosa mas, ainda assim, de uma calmaria inigualável. Todos os dias os quatro jovens se levantavam e ajudavam os pais com as tarefas, nunca ousando questionar o que mais haveria para além dos deveres nas terras montanhosas. Os dois mais novos eram os que menos precisavam ajudar, podendo assim se dedicar às ideias geniosas que tinham (e eram sempre muitas). Eilidh, em um dia comum, ajudava sua mãe com os cuidados dos animais e, quando havia tempo, se juntava ao pai em algumas caças. Cedrik, por ter as maiores responsabilidades da casa, tinha de acompanhar o pai durante todo o seu dia, aprendendo com ele sobre o passado e as tradições do clã. Quando não estava cuidando dos cavalos ou caçando com o pai, tinha que o acompanhar em suas negociações.Essa rotina e a dita tranquilidade, por doze anos, haviam sido o suficiente para o jovem garoto, que se acostumara com o destino que lhe havia sido traçado no momento em que nasceu: assumir como o líder do clã. Mas no dia dezoito de Novembro, em seu aniversário de quatorze anos — no meio de outro inverno sufocante, daqueles de que não se pode esquecer —, Cedrik tomara a decisão de que precisava conhecer mais. Naquele dia, em meio à neve interminável nas Terras Altas, o garoto escolheu mais do que a vida nas montanhas podia lhe oferecer. Ele queria ser professor, um grande estudioso e pesquisador da literatura e, até mesmo, das línguas. A princípio, seus pais não estavam certos dessa decisão, se era seguro e, até mesmo, o melhor para o filho. Yvaine, sua amada mãe, foi a primeira a ceder ao destino que o filho havia escolhido, apenas exigindo que ele sempre se dedicasse e trouxesse orgulho para a sua casa. Seu pai, Hamish, demorou um pouco mais para aceitar sua decisão, e só o fez quando conseguiu do filho a compreensão de que, um dia, ele teria de voltar para casa e cumprir com um outro destino — um ainda mais antigo do que o de seu sonho — e assumir seu dever para com a sua família. Era justo, afinal, prometer isso aos pais. Cedrik carregava consigo um senso de dever muito grande, como uma divida eterna que passaria sua vida tentando quitar. Sendo assim, quando aos dezessete anos a promessa do destino finalmente bateu em sua porta, no final de mais um ano, o garoto não pôde recusar. Estava ali, finalmente, a sua vida o recebendo de braços abertos. Em suas mãos, trêmulas de ansiedade, estava a carta de aceitação da universidade de Glasgow, estendendo-lhe a mão e o chamando para se tornar o estudioso que tanto desejava ser.

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an dèidh deich bliadhna.

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Foi no inverno, dez anos atrás, que Cedrik fez suas malas e deixou Cabrich para trás, com um sonho gigante dentro de seu bolso. No fundo de seu peito havia o peso de outra grande obrigação, uma com si mesmo, que o puxava para um grande abismo de tempos em tempos. A magnitude de um dever tão sagrado que o fez estudar muito mais, devotando a sua vida aos estudos, para se tornar o professor de literatura de que sua mãe se orgulharia, de que seu pai falaria com a boca cheia de elogios.E assim, com a sede de conhecimento inundando seu corpo e sua mente, o tempo passou. Rápido, quase despercebido, os anos foram correndo depressa e sem aviso. Foram oito anos morando na cidade universitária de Glasgow, absorvendo tudo que seus professores tinham para lhe ensinar, pensando que o mundo ainda tinha muito mais a revelar. Os primeiros quatro anos (os de sua graduação) foram os melhores e mais divertidos, repletos da curiosidade inerente de um ser humano com ânsia de expandir seu conhecimento. Nos quatro anos seguintes (os de seu doutorado), as adversidades se revelaram maiores e mais assustadoras, colocando-o em situações mais desafiadoras. Foram anos assustadores, cheios de questionamentos, e com momentos de tão severa insatisfação que, por um instante, o sonho quase se desfez. Quando, enfim, o doutorado acabou, o jovem recebeu o convite para lecionar na universidade de Edimburgo, o que pode ter sido a salvação de sua convicção, então, incerta. Todo o trabalho duro, tudo o que deixou para trás para ser levado pelo ar das montanhas, a vida havia tratado de devolver ao homem. Se olhasse para o passado, um sorriso viria aos lábios, carregado de uma gratidão silenciosa. Foram suas escolhas, afinal, e tinha de ser feliz por tê-las tomado. Mas, no fundo de seu peito, escondido pelo tempo, havia uma promessa feita para um alguém distante.Um dia, agora não tão longe, ele teria de voltar para a sua casa. Havia também, além do dever, uma urgência em procurar por um outro tipo de felicidade. Uma felicidade que já lhe era conhecida, e que, há dez anos, o garoto havia sacrificado em troca de algo que achava ser maior. Apesar de não se arrepender das escolhas que tomou, ele sabia que era como se a vida o convidasse a voltar para casa, a buscar o que esteve à sua espera por todos esses anos.Essa era sua garantia, sua mão dada pela vida. Uma inegociável exatidão do retorno. Sua maior promessa — a com o destino —, que o assegurava de que, no futuro, tudo o que havia deixado para trás seria trazido de volta para ele.

I. Nasceu e cresceu no vilarejo de Cabrich, próximo de Achnagairn, nas “HighLands”, na Escócia. Atualmente, mora na Circus Lane, em Stockbridge, na cidade de Edimburgo.
II. Leciona na universidade de Edimburgo, porém se formou na universidade de Glasgow.
III. Possui um gosto musical eclético, estendendo-se principalmente ao indie e ao folk.
IV. Detesta aranhas e pessoas invasivas.
V. Os principais assuntos de que possui afinidade são, em suma: literatura, poesia, filmes, pássaros e alguns poucos animes e jogos.

e-mail: [email protected]

OOC+ importante:I. Personagem 100% interpretativo, cujos atos e descrição em nada condizem ou referem-se ao shape utilizado.
II. O tempo entre cada publicação do Cedrik pode variar, sendo na maioria das vezes não tão constante.
Peço para que não cobre respostas e/ou publicações frequentes, pois existe uma vida real fora do RPG e é necessário vivê-la.
III. Limpas periódicas são feitas nos seguidores e tweets.
IV. Contas NSFW, por favor, não sigam o perfil do Cedrik. Se seguirem, tendo ou não aviso de conteúdo adulto em seus perfis, serão retiradas dos seguidores no momento em que aparecer algo explícito etc. Se houver insistência, serão bloqueadas.
V. A respeito de plots conflitantes com a realidade do Cedrik (plots sobrenaturais, dentre outros), não há problema a mesclagem dos universos, desde que feita de forma sutil e natural. É necessário ressaltar que o Cedrik não assumirá a identidade sobrenatural de alguém como algo já de conhecimento dele. Para o Cedrik, há apenas lendas, até que estas se provem verdadeiras.
VI. A personagem possui um passado profundo e significativo (apesar de puramente fictício) em se tratando do amor e de relacionamentos. Sendo assim, a personagem não tem interesse de engajar em qualquer relação sem que antes seja compreendido o seu passado e suas memórias. Isso é parte crucial do plot do Cedrik, sendo também algo de que não abro mão e não negocio alterações. Procure conhecer a personagem e respeitar as muitas camadas e dimensões do plot para, então, tentar qualquer coisa.
off +18. É repudiado qualquer tipo de interação adulta (sobretudo as de cunho sexual) com menores de dezoito anos, isso se aplica tanto para off quanto para on. Qualquer tentativa de engajar nesses tipos de interações será recebida com bloqueio imediato.